havia três horas; no entanto, ninguém parecia se importar com o paradeiro dela. Fabrício não agiria de forma diferente, sabia que isso era comum. Sendo assim, caminhou durante uns quinze minutos até chegar a altura do bar Astralopitecus, onde seus amigos costumavam se reunir nos fins de noite. Dessa vez ele foi o primeiro a chegar. Ele sabia disso logo que resolveu ir para o bar, mas mesmo assim tinha alguma esperança de já encontrar alguém lá. Precisava contar o que havia lhe acontecido naquele dia.
- Ei garçom, manda uma cerveja!
Bebeu compulsivamente enquanto esperava. Todas as cenas daquela noite se agitavam sua cabeça, estava a ponto de conversar com o garçom. Nem sabia o nome dele, apesar de ser cliente do bar havia quase três anos. Fábricio nunca foi de criar amizades facilmente. Quando terminou o segundo copo viu Angélica se aproximar. Fez um aceno e lhe escapou um singelo sorriso. Ela vinha trajada daquela sua calça marrom, já um tanto desbotada. Calçava os sapatos que pegara da mãe, e os vinha rastejando, fazendo um som que lembrava o amolar de uma faca.
- Oi Fabrício, chegou cedo hoje, ein?
Fabrício adorava a voz de Angélica. O levava para um mundo paralelo nos primeiros instantes. Às vezes ficava preso lá, e abstraia tudo o mais que não fosse sua voz.
- Pois é, eu tava meio sem ter o que fazer... queria conversar com alguém e passei aí.
- É, tu tá bem com cara de quem quer conversar.
- Isso foi ironia? - falou de imediato. Fabrício era de poucas palavras, então aquilo lhe soou como uma brincadeira sem graça.
- Não, to falando sério!
- Ah é que sei lá, tu sabe... costumo ser quieto.
- Sei? Não sei de nada! - disse revirando a bolsa atrás de alguma coisa.
- Bom, mas deixa pra lá. Lembra aquele projeto que te comentei?
Angélica havia tirado um pequeno espelho da bolsa e balançou a cabeça concordando.
- Pois é! Consegui... o pessoal da editora gostou.
- Sério? A página 53? Poxa, que legal Fabrício!
Seu rosto começava a ficar vermelho. Se sentia um estúpido sempre que isso acontecia, e isso não era raro. E não era exatamente sobre isso que queria conversar, mas também não queria ser tão direto. Então resolveu detalhar melhor aaa
- Ei garçom, manda uma cerveja!
Bebeu compulsivamente enquanto esperava. Todas as cenas daquela noite se agitavam sua cabeça, estava a ponto de conversar com o garçom. Nem sabia o nome dele, apesar de ser cliente do bar havia quase três anos. Fábricio nunca foi de criar amizades facilmente. Quando terminou o segundo copo viu Angélica se aproximar. Fez um aceno e lhe escapou um singelo sorriso. Ela vinha trajada daquela sua calça marrom, já um tanto desbotada. Calçava os sapatos que pegara da mãe, e os vinha rastejando, fazendo um som que lembrava o amolar de uma faca.
- Oi Fabrício, chegou cedo hoje, ein?
Fabrício adorava a voz de Angélica. O levava para um mundo paralelo nos primeiros instantes. Às vezes ficava preso lá, e abstraia tudo o mais que não fosse sua voz.
- Pois é, eu tava meio sem ter o que fazer... queria conversar com alguém e passei aí.
- É, tu tá bem com cara de quem quer conversar.
- Isso foi ironia? - falou de imediato. Fabrício era de poucas palavras, então aquilo lhe soou como uma brincadeira sem graça.
- Não, to falando sério!
- Ah é que sei lá, tu sabe... costumo ser quieto.
- Sei? Não sei de nada! - disse revirando a bolsa atrás de alguma coisa.
- Bom, mas deixa pra lá. Lembra aquele projeto que te comentei?
Angélica havia tirado um pequeno espelho da bolsa e balançou a cabeça concordando.
- Pois é! Consegui... o pessoal da editora gostou.
- Sério? A página 53? Poxa, que legal Fabrício!
Seu rosto começava a ficar vermelho. Se sentia um estúpido sempre que isso acontecia, e isso não era raro. E não era exatamente sobre isso que queria conversar, mas também não queria ser tão direto. Então resolveu detalhar melhor aaa
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